Carlos percebeu que Fábio, da equipe de TI, estava diferente. Calado. Não tinha rido do comentário do café na copa.
— Você viu o Fábio hoje? — Carlos perguntou a Mariana.
— Vi. Tá estranho.
— Será que falo com ele?
— Se você notou, ele precisa.
Carlos foi até a mesa de Fábio. O monitor estava ligado, mas ele só olhava para a tela sem digitar.
— Fábio, tudo bem?
— Tô — ele respondeu, sem graça.
— Não parece.
Fábio suspirou. O barulho do teclado ao lado preencheu o silêncio.
— Minha esposa pediu o divórcio ontem.
— Puta merda.
— Pois é.
— O que você precisa agora?
— Não sei. Só sair daqui.
— Vai. Eu cubro o que tiver de urgente. Depois a gente conversa.
— Não precisa.
— Precisa sim. Vai.
Fábio desligou o computador, pegou a mochila.
— Obrigado.
— Nem precisa.
Fábio saiu. Carlos ficou olhando a cadeira vazia.
— Apoiar um colega em crise não é dar solução. É estar presente. Não é perguntar detalhes. É perguntar o que ele precisa. Depois, ficar em silêncio. Carlos sentou na cadeira e abriu o sistema de chamados.
*Continua em: 1491 — Como receber um novo colega na equipe?*