A reunião semanal já estava na metade. Carlos conduzia a pauta, passando de ponto em ponto. Carlos ouvia, a caneta parada na mão.
— Operações, alguém quer complementar? — Carlos perguntou.
Todo mundo calado. O barulho do ventilador de teto enchia o espaço.
Carlos sentiu a garganta seca. Queria dizer algo sobre o indicador de produtividade, mas as palavras ficavam presas.
Mariana olhou pra ele.
— Vai falar, ué.
Ele pigarreou.
— Carlos, posso complementar?
— Claro, Carlos.
Ele se inclinou para frente.
— Sobre o indicador de produtividade do mês passado. Acho que a queda não foi por falta de trabalho, mas porque a equipe estava cobrindo duas áreas ao mesmo tempo. Se a gente separar os dados por área, talvez o número fique mais claro.
Carlos anotou algo.
— Boa observação. Pode preparar esse recorte para a próxima reunião?
— Posso sim.
— Próximo ponto.
Carlos sentiu o ombro relaxar. Mariana sorriu do outro lado da mesa.
— Tomar a palavra em uma reunião não é sobre ter a resposta perfeita. É sobre ter uma contribuição. Não espere o silêncio absoluto. Espere uma pausa. E nela, entre. Carlos escreveu no bloco: "Falar é participar."
*Continua em: 1486 — Como escrever um e-mail de demissão profissional?*