Carlos estava no meio de uma planilha quando o analista júnior apareceu na lateral da mesa.
— Carlos, como faz pra filtrar essa tabela?
— Você tentou alguma coisa?
— Ainda não. Preferi perguntar pra não perder tempo.
Carlos segurou o impulso de revirar os olhos. O cheiro de café fresco vinha da copa.
— Me mostra o que você já fez até agora.
— Nada. Só abri a planilha.
— Então senta aqui.
O júnior puxou a cadeira.
— Primeiro, tenta. Sério. Clica em qualquer lugar. Vê o que acontece. Errar é mais rápido que esperar resposta.
— Mas eu posso fazer errado.
— E daí? Você desfaz. Olha, vai em "Dados", "Filtrar". Pronto.
— Ah, era isso?
— Se tivesse tentado, teria descoberto em 20 segundos.
— É que tenho medo de estragar.
— Você não vai estragar nada que eu não possa arrumar. Mas, se não tentar, nunca vai aprender.
O júnior ficou em silêncio.
— Da próxima vez, tenta três minutos antes de perguntar. Se não resolver, aí você vem. Combinado?
— Combinado.
— Tá liberado.
O júnior voltou para a mesa. Carlos ouviu o clique do mouse repetido, até que um "Consegui!" veio do outro lado da sala.
— Perguntar sem tentar antes não é dúvida, é comodismo. Três minutos de tentativa resolvem 80% das perguntas. Carlos girou a caneta entre os dedos e voltou para a planilha.
*Continua em: 1485 — Como tomar a palavra em uma reunião?*