A sala de reunião estava vazia quando Carlos entrou. Do outro lado da mesa, o representante do RH, uma mulher de blazer cinza, já tinha a pasta aberta.
— Carlos, como você sabe, a empresa está passando por uma reestruturação. Sua posição foi impactada.
O som do papel sendo folheado era a única coisa que se ouvia.
— Entendi. Posso perguntar o motivo específico?
— A decisão foi baseada em adequação de quadro. Não tem relação com desempenho.
— E meu desempenho, como estava?
A representante do RH parou de mexer nos papéis.
— Seu desempenho era dentro do esperado. A decisão foi estrutural, não pessoal.
— Então não foi por causa daquele atraso no projeto do mês passado?
— Não. Aquilo foi pontual. A decisão já estava tomada antes.
Carlos respirou fundo. A luz do ar-condicionado soprava fria.
— Pergunto porque quero entender o que comunicar nas próximas entrevistas. Se foi desempenho, eu sei o que ajustar. Se foi estrutura, é outra história.
— Foi estrutura. Pode falar tranquilamente nas referências.
— Obrigado pela honestidade.
— A gente prepara a papelada. Você recebe as orientações por e-mail.
Carlos apertou a mão dela. O papel da carta de desligamento estava sobre a mesa, branco, frio. Ele guardou na pasta.
— Perguntar o motivo da demissão no desligamento não é confronto. É informação. A empresa espera que você pergunte. O que você não pergunta vira dúvida. O que você pergunta vira resposta. Carlos colocou a pasta debaixo do braço e saiu.
*Continua em: 1484 — Como lidar com júnior que pergunta sem tentar antes?*