Carlos chegou ao escritório com os olhos vermelhos. Dona Lúcia tinha passado a noite no hospital com uma crise de pressão. Ele mal tinha dormido.
A luz fluorescente do corredor parecia mais forte que o normal. Cada passo ecoava.
— Carlos, você está com cara de quem não dormiu — Mariana disse.
— Minha mãe passou mal. Fiquei no hospital.
— Nossa. E você veio trabalhar?
— Não sabia o que fazer.
— Senta aqui.
Carlos sentou na cadeira ao lado da mesa dela. O cheiro de café passava pelo ar.
— Olha — ele começou —, preciso de ajuda. Não vou conseguir entregar o relatório hoje. Minha cabeça não está aqui.
— Claro. Fala com o Carlos, passa o que estiver mais urgente pra mim. O resto a gente segura.
— Pode ser?
— Pra isso que serve equipe.
Carlos foi até a sala de Carlos. Bateu na porta entreaberta.
— Carlos, preciso de um minuto.
— Pode entrar.
— Minha mãe está no hospital. Não vou render hoje. Já falei com a Mariana, ela vai cobrir o que for urgente.
Carlos ajustou os óculos.
— Resolve o que precisar em casa. O trabalho a gente administra.
— Obrigado.
— Não agradece. Acontece.
Carlos voltou para a mesa, pegou a mochila e saiu. No elevador, sentiu o peso do corpo.
— Pedir apoio dos colegas em momento difícil pessoal não é fraqueza. É maturidade. A equipe prefere saber a descobrir depois. Quando você fala, todos se organizam. Quando esconde, todos tropeçam. Carlos enfiou as mãos nos bolsos e esperou o térreo.
*Continua em: 1483 — Como perguntar o motivo da demissão no desligamento?*