O telefone tocou mais cedo que o normal. Carlos atendeu e ouviu a voz do representante de uma transportadora terceirizada, falando rápido demais.
— Carlos, o pagamento veio com valor diferente do acordado. Não dá pra aceitar.
— Deixa eu verificar — Carlos respondeu, os dedos já sobre o teclado.
Ele abriu a planilha de contratos e o e-mail com o acordo. O barulho do ar-condicionado preenchia o silêncio entre as frases.
— Aqui tá registrado o valor de R$ 3.450, conforme negociamos — Carlos disse.
— Mas a gente tinha combinado R$ 3.750. O vendedor passou o orçamento.
— Vou te mandar o e-mail do dia 5. A gente alinhou o valor por escrito. Dá uma olhada e me confirma.
Carlos enviou o print e esperou. O representante respondeu minutos depois.
— Realmente, vi aqui. Foi erro meu. Já ajusto o boleto.
— Combinado. Qualquer dúvida, a gente fala antes de emitir, ok?
— Pode deixar.
Carlos desligou e soltou o ar. Mariana passou pela mesa.
— Deu certo?
— Ele tinha razão em questionar, mas o erro era dele. Só precisei mostrar o documento.
— E se não tivesse o registro?
Carlos mexeu na caneca de café.
— Aí estaríamos discutindo achismo.
— Resolver divergência comercial com fornecedor não é ganhar a discussão. É ter o registro. E-mail, contrato, print. Quando o papel fala, a voz se cala. Depois que desligou, Carlos rabiscou no bloco: "Tudo por escrito."
*Continua em: 1482 — Como pedir apoio dos colegas em momento difícil pessoal?*