Carlos estava na sala do Carlos. A carta de demissão estava na pasta, mas ele ainda não tinha entregado.
— Você tem certeza? — Carlos perguntou.
— Tenho. Mas quero conversar sobre o acordo.
Carlos apoiou os cotovelos na mesa.
— O que você está pensando?
Carlos tinha pesquisado na noite anterior. Leu artigos, conversou com um amigo advogado, fez contas.
— A empresa pode propor um acordo de saída. A multa do FGTS, o aviso prévio, as férias proporcionais.
— E o que você quer?
— Quero que seja homologado. Com todos os direitos.
Carlos assentiu.
— Vou falar com o RH.
Três dias depois, Carlos estava na sala de reunião com a analista de RH. A papelada sobre a mesa. Caneta preta ao lado.
— Os valores estão corretos — a analista disse. — Pode assinar.
Carlos leu cada parágrafo. A luz da sala era fria. O silêncio só era quebrado pelo zumbido do ar condicionado.
Ele assinou.
— Pronto — disse.
— Boa sorte — a analista respondeu.
— Obrigado.
Carlos guardou a caneta no bolso. A porta da sala fechou atrás dele com um clique suave.
*Continua em: 1479 — Como montar uma reserva de emergência pensando em demissão?*