A nova analista, Fernanda, usava cadeira de rodas. Carlos percebeu no primeiro dia que a mesa dela ficava no fundo do corredor, perto da saída de emergência, mas a porta do banheiro não abria com o botão automático.
No segundo dia, ele viu ela pedir ajuda pra abrir a porta. Duas vezes.
— Carlos, posso falar uma coisa? — Carlos bateu na porta da sala do gerente.
— Pode.
— A Fernanda está tendo dificuldade com a porta do banheiro. Não é adaptada.
Carlos largou a caneta.
— O que você sugere?
— Instalar sensor de abertura. É simples e resolve.
— Custa?
— Não sei. Mas deve ser menos que perder uma boa profissional.
Carlos anotou alguma coisa.
— Vou falar com o administrativo.
Dois dias depois, a porta do banheiro abria sozinha. Carlos viu Fernanda passar pelo corredor e apertar o botão. A porta se abriu sem esforço.
— Obrigada — ela disse, virando para Carlos.
— Eu? Não fiz nada.
— Fez sim. Alguém pediu.
Carlos sorriu. Ela entrou no banheiro e a porta fechou lentamente.
*Continua em: 1474 — Como lidar com prazo apertado?*