Carlos estava deitado na cama, olhando para o teto. Toby dormia enroscado aos pés dele. A luz do poste na rua entrava pela fresta da cortina.
— Você está calado hoje — Luísa disse, sentada na ponta da cama.
— Estou pensando.
— No quê?
— No que acontece se eu for demitido.
Luísa parou de passar hidratante nas mãos.
— Tem motivo pra isso?
— Não. Mas nunca tem até ter.
Carlos sentou na cama. O colchão rangeu. Ele pegou o celular e abriu a planilha que tinha criado na noite anterior.
— Olha. Salário atual, gastos fixos, reserva. Se eu for demitido hoje, a reserva dura três meses.
— Três meses é pouco?
— É. Seis seria o mínimo.
Luísa se aproximou. O cheiro do hidratante dela encheu o ar.
— E o que você vai fazer?
— Cortar gastos não essenciais por um tempo. Revisar o orçamento. Tentar guardar mais.
— Posso ajudar — ela disse. — A gente pode rever o orçamento junto.
Carlos olhou para ela. A luz fraca do abajur iluminava o rosto dela.
— Juntos?
— Juntos.
Ele apoiou a cabeça no ombro dela. Toby ressonou.
*Continua em: 1466 — Como conversar com colega sobre salário (tabu)?*