Carlos tossiu no meio da reunião. Uma tosse seca, que vinha se repetindo há semanas. O peito doía, o cansaço não passava.
— Você tá com uma cara péssima — Mariana disse depois.
— Não tô dormindo bem.
— Vai no médico.
O médico passou exames. Resultado: estresse crônico, ansiedade elevada, início de burnout.
— Seu corpo pedindo arrego — o médico disse. — Precisa se afastar.
— Preciso trabalhar.
— Se continuar, vai piorar. Pense em licença ou desligamento.
Carlos guardou o atestado. Passou dias pensando. Conversou com Luísa.
— Posso pedir demissão — ele disse, a voz baixa.
— Você tem atestado. Pode pedir afastamento.
— Mas se eu sair, melhoro mais rápido.
— Então sai. Saúde vem primeiro.
No dia seguinte, Carlos foi falar com Carlos. A sala estava tranquila, o ar-condicionado ligado.
— Carlos, preciso pedir demissão. Motivo de saúde.
— Você tem atestado?
— Tenho.
— Então faz o seguinte: pede licença médica primeiro. Garante seus direitos. Depois a gente vê.
— Pode ser?
— Pode. Protege você.
Carlos seguiu o conselho. Pediu a licença, depois formalizou a demissão.
Na saída, olhou para o escritório pela última vez. O som das cadeiras, o zumbido dos computadores. Colocou a mochila no ombro e sentiu o ar fresco do lado de fora no rosto.
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