O despertador tocou. Carlos sentou na cama e ficou olhando para o chão.
— O que foi? — Luísa perguntou, ainda com os olhos fechados.
— Não quero ir.
— Todo dia é a mesma coisa, Carlos.
Ela abriu os olhos.
— Você reclama do trabalho há seis meses. O que tá te segurando?
— Não sei. Medo.
— Medo do quê?
— De não encontrar outro. De me arrepender.
Luísa sentou também.
— Mas você já tentou procurar? Mandou currículo?
— Não.
— Então começa. Enquanto não tiver uma alternativa, você não vai saber se é hora ou não.
Carlos começou a enviar currículos no intervalo do almoço. Durante duas semanas, nada. Na terceira, uma proposta veio.
— Recebi uma oferta — ele disse para Luísa, no sofá.
— De quanto?
Ele mostrou o papel. Luísa leu e sorriu.
— É melhor que o atual.
— Muito.
— Então você já sabe a resposta.
— Sei.
Carlos olhou para a proposta. Sentiu o papel entre os dedos. A luz da sala iluminava as letras impressas.
— Amanhã vou pedir demissão.
— Finalmente.
Ele apoiou a cabeça no sofá e sentiu o peso de meses sair dos ombros.
Continua em: 1460 — Como pedir demissão por motivo de saúde?