O representante sindical, um homem grisalho de terno desleixado, parou na mesa do Carlos.
— E aí, pode falar?
Carlos olhou ao redor. Alguns colegas estavam perto.
— Melhor na sala de reunião.
— Beleza.
Na sala, as cortinas estavam meio fechadas. Uma luz fraca entrava pelo tecido.
— O que tá pegando? — o representante perguntou.
— É sobre as horas extras. Muita gente da equipe tá fazendo além do que devia, sem compensação.
— Sei. Fala mais.
— Pelo menos três colegas tão vindo sábado. O sistema não registra como extra.
— Tem prova?
— E-mail. O supervisor pediu informalmente.
— Manda pra mim. A gente aciona.
Carlos hesitou.
— E se descobrirem que fui eu?
— A denúncia é anônima. Posso garantir.
— Então vou providenciar.
— Faça isso. Inclusive, se alguém mais quiser falar, tô aqui.
O representante estendeu a mão. Carlos apertou, sentindo a palma firme e áspera.
No dia seguinte, depois de escanear os e-mails, Carlos colocou o envelope pardo na mochila. A luz da manhã tocava a borda do envelope.
Continua em: 1453 — Como pedir mentoria a um sênior da empresa?