O café estava mais quente que o normal. Carlos soprava a superfície enquanto um colega se aproximava, abaixando a voz.
— E aí, viu o que o pessoal do financeiro fez? Mandaram um e-mail errado pro cliente grande.
Carlos tomou um gole.
— Não vi.
— Tô sabendo que o supervisor deu um pito neles. Vai virar caso.
O colega se inclinou mais, os olhos brilhando. Carlos se lembrou de uma conversa com Luísa.
— "Se o assunto é sobre alguém que não tá na roda, você já sabe que é fofoca", ela disse.
— É melhor a gente esperar a versão oficial — Carlos respondeu.
— Ah, qual é. Você não quer saber?
— Não me faz bem.
O colega deu de ombros e foi embora.
No dia seguinte, o mesmo colega tentou de novo.
— Carlos, deixa eu te contar uma coisa sobre a Mariana.
— Olha — Carlos interrompeu. — Se for sobre alguém que não tá aqui, não quero saber.
— Nossa, que moralista.
— Não é. Só não participo.
O colega riu sem graça e mudou de assunto.
Mariana apareceu depois com um café na mão.
— Ouvi que você cortou o fofoqueiro de plantão.
— Não quis ouvir.
— Melhor coisa. Essas histórias voltam.
Carlos olhou para a janela, onde o sol da manhã desenhava um retângulo de luz no chão. Deu um gole no café e sentiu o amargo na língua, o silêncio ao redor.
Continua em: 1449 — Como lidar com funcionário desmotivado?