A planilha não fechava. Carlos já tinha refeito os cálculos três vezes, e ainda assim o saldo não batia. Suspirou e passou a mão no cabelo.
— Preciso falar com o Carlos — murmurou.
Mariana olhou por cima da divisória.
— Então vai.
— Mas ele tá sempre ocupado.
— Carlos, manda um e-mail ou bate na porta. Se você ficar esperando, não resolve.
Ele abriu o Teams. Digitou "Carlos, pode falar um minuto?" e ficou com o cursor piscando no campo de mensagem. Apagou. Escreveu de novo. Apagou.
— Tá digitando um tratado de paz? — Mariana riu.
— Chega.
Mandou. A resposta veio em segundos.
"Pode vir."
Carlos levantou, ajeitou a camisa azul e foi até a sala do gerente. Bateu na porta com os nós dos dedos.
— Entra.
Carlos estava com os óculos na ponta do nariz, olhando para a tela.
— Fala.
— A planilha do fechamento não tá batendo. Já revisei três vezes.
— Me mostra.
Carlos aproximou o notebook. Carlos inclinou a cabeça, analisou os números em silêncio.
— Aqui. Fórmula errada na linha do custo.
— Puts.
— Acontece. Boa iniciativa ter vindo perguntar. Quem espera acumular erro.
— Valeu.
— Qualquer coisa, volta. Porta aberta.
Carlos saiu da sala com o problema resolvido. Sentou de novo na mesa e consertou a fórmula. A planilha fechou como mágica.
No monitor refletido, ele viu o próprio semblante mais leve. Ajeitou a caneca e voltou ao trabalho.
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