Carlos sentiu uma pontada nas costas no meio da tarde. A cadeira do escritório rangeu quando ele se inclinou para frente, tentando aliviar a tensão no ombro.
— Tá travado? — Mariana perguntou, passando perto da mesa.
— Não sei o que é. A lombar tá gritando.
— Você passa oito horas curvado na frente do monitor, Carlos. Não é mistério.
Ele olhou para a tela. O monitor estava um pouco baixo, e ele se inclinava para ler. Mexeu o pescoço e ouviu um estalo seco.
— Tem algum profissional aqui que cuida disso? Fisioterapia?
— Recursos humanos — Mariana respondeu. — Fala com a moça do RH. Eles têm convênio com clínica de ergonomia.
— Pode crer.
Carlos foi até o RH no fim do dia. A sala era pequena, com uma planta murcha no canto. Bateu na porta entreaberta.
— Posso?
— Claro, Carlos. Só um minuto.
Ele esperou. A cadeira de visitante era de plástico duro. Enquanto esperava, passou a mão na nuca, sentindo o nó de tensão.
— Queria saber se vocês têm algum programa de ergonomia, ou orientação sobre postura.
— Temos. A clínica parceira faz avaliação. Agendo pra você.
— Obrigado.
Na semana seguinte, um fisioterapeuta foi ao escritório. Mexeu na altura da cadeira, ajustou o monitor, mostrou exercícios simples.
— Seu corpo não foi feito pra ficar oito horas parado — ele disse. — A cada quarenta minutos, levanta. Ande dois passos. Mexe os ombros.
Carlos anotou num post-it amarelo e colou na borda do monitor.
No dia seguinte, sentou com a coluna reta. A cadeira estava na altura certa. A respiração fluiu melhor.
Mariana passou e sorriu.
— Outra pessoa.
— Tô novo.
Ele girou a caneca de café na mão e endireitou as costas, sentindo o encosto da cadeira se ajustar ao movimento.
Continua em: 1443 — Como pedir para falar com um supervisor?