O ar-condicionado gelava a sala de reunião. Carlos segurava a caneca de café, ouvindo o gerente apresentar um novo estagiário, Matheus, de vinte e poucos anos.
— Vai ficar com a gente os próximos meses — Carlos disse, ajustando os óculos. — Carlos, você acompanha.
— Beleza.
Na primeira semana, Matheus chegou de fone, respondia mensagens no meio da reunião e ouvia música enquanto trabalhava. Carlos franziu a testa.
— Matheus, dá uma pausa no fone quando a gente conversa?
— Tô ouvindo, cara. Consigo fazer os dois.
— É questão de educação.
Matheus tirou o fone devagar. Bateu na mesa com a palma da mão.
— Pronto, chefia.
Carlos respirou fundo. Mais tarde, no café, comentou com Mariana.
— Ele é gente boa, mas parece que não aprendeu protocolo.
— Protocolo? — Mariana riu. — Carlos, ele tem vinte e dois anos. Aprendeu em outro mundo. Se você não explicar, ele não vai adivinhar.
— Explicar como?
— Chamar pra conversar. Sem bronca. Explica como funciona aqui.
Carlos chamou Matheso no final do expediente. A luz do fim de tarde entrava pela janela, manchando a mesa de laranja.
— Senta aí.
— Deu ruim?
— Não. Só quero entender como você trabalha melhor.
Matheus relaxou. Contou que rendia mais à noite, que odiava reunião matinal, que preferia mensagem escrita a telefonema.
Carlos ouviu. Percebeu que o estilo do estagiário não era desleixo — era outro ritmo. Combinaram meio-termo: Matheus tirava o fone nas reuniões, mas podia ouvir música no resto do dia.
— Valeu, Carlos. De verdade.
— Trabalho é trabalho. Se entrega, tá tudo certo.
Matheus sorriu e colocou o fone de volta, ajustando o volume com um toque rápido.
Continua em: 1442 — Como perguntar sobre os cuidados com a postura no trabalho?