A reunião de diretoria começou com o diretor financeiro projetando os números. Vermelhos.
— O setor de operações teve o maior índice de retrabalho do trimestre — ele disse, apontando o gráfico. — Isso impacta diretamente a margem.
Carlos sentiu o peso. Ele era o analista responsável pelo relatório. Mas o retrabalho não era culpa dele sozinho. A equipe estava desfalcada. O sistema novo tinha bug. E o prazo tinha sido encurtado sem aviso.
O diretor olhou para ele.
— Carlos, o que aconteceu?
Os segundos passaram. Ele podia explicar a falta de pessoal. Os bugs. Os prazos. Mas aquilo soaria como desculpa.
— A gente teve problemas — ele disse. — Mas o time trabalhou duro pra entregar. O retrabalho veio de uma falha no sistema que já foi corrigida. E a equipe fez hora extra pra compensar o atraso.
— Hora extra não é solução — o diretor cortou.
— Eu sei. Por isso já propus uma revisão no fluxo de aprovação. O relatório com a proposta tá na mesa do Carlos.
O diretor olhou para Carlos, que confirmou com a cabeça.
— E o time? — o diretor perguntou.
— O time entregou dentro das circunstâncias. Se a gente tiver o novo sistema rodando e mais uma pessoa na equipe, o índice cai pela metade no próximo trimestre.
A reunião seguiu. Carlos não tinha virado o jogo sozinho. Mas tinha mostrado os fatos sem jogar ninguém embaixo do ônibus.
No corredor, um colega bateu no ombro dele.
— Valeu por ter falado.
— Falei a verdade — Carlos respondeu.
*Continua em: 144 — Como abordar um colega em dificuldade?*