Ana chegou no trabalho visivelmente abalada. Carlos percebeu que ela tinha chorado.
— Tudo bem? — ele perguntou.
Ana não respondeu. Balançou a cabeça.
Mais tarde, ela o chamou no canto.
— Carlos, o gerente comercial fez comentários… comentários que não deveria. Sobre meu corpo.
— Você vai denunciar?
— Tenho medo. Ninguém vai acreditar.
— Eu acredito.
Carlos não pressionou. Disse que ela não estava sozinha. Ofereceu acompanhá-la ao RH se quisesse.
Ana decidiu denunciar. Carlos foi como testemunha de apoio. Não falou por ela, mas confirmou que ela tinha contado o caso no mesmo dia.
O RH investigou. Outras funcionárias apareceram. O gerente foi desligado.
— Obrigada — Ana disse. — Se você não tivesse apoiado…
— Você que teve coragem. Eu só fiquei do lado certo.
— Apoiar um colega que sofreu assédio não é herói. É obrigação. Assédio se combate com acolhimento, testemunha e canal oficial. Sozinha a vítima se cala. Acompanhada, ela fala.
*Continua em: 1425 — Como manter contato com ex-colegas de trabalho?*