O grupo do trabalho tinha combinado happy hour na sexta. Carlos já sabia desde segunda. Mas na quinta à noite, ele estava no sofá de casa, exausto, e a única coisa que queria era dormir.
O celular vibrou. Mensagem no grupo.
"Pessoal, confirmados pro amanhã? Vai ter chopp duplo até as 20h."
Carlos olhou pra mensagem. Todo mundo ia. Ele sabia que seria cobrado.
— Vai responder? — Luísa perguntou da cozinha.
— To pensando.
— O que você quer fazer?
— Quero ficar em casa.
— Então fala.
Carlos pegou o celular. Digitou. Apagou. Digitou de novo.
As desculpas pareciam todas falsas. "Tô cansado" parecia preguiça. "Tenho um compromisso" parecia mentira.
Ele pensou em como se sentia quando alguém recusava um convite dele. Preferia que a pessoa fosse sincera.
Mandou:
"Pessoal, vou ficar devendo essa. Semana foi pesada, preciso recarregar. Próxima eu vou."
Alguém respondeu com um "😢".
Outro disse "Fura, hein".
Mas ninguém ficou bravo. E no minuto seguinte já estavam discutindo o local.
Carlos desligou o celular e se jogou no sofá. Luísa sentou ao lado.
— Pronto. Resolveu.
— Foi simples — ele disse, meio surpreso.
— Porque era simples.
Ele sorriu. Não precisava de justificativa elaborada. Um convite recusado com honestidade não quebra amizade.
*Continua em: 143 — Como defender o time perante a diretoria?*