Na empresa de Carlos, a fofoca corria solta. Na copa, no corredor, no grupo de WhatsApp não oficial. Carlos era um dos poucos que não participava.
— Você viu o que fizeram com a Fernanda? — um colega chegou sussurrando.
— Não vi. E prefiro não saber.
— Sério? Todo mundo tá comentando.
— Se não é sobre trabalho, não quero me envolver.
O colega estranhou, mas parou de procurar Carlos para fofocar.
Na semana seguinte, outra situação. Uma colega veio contar que o gerente estava de caso com a estagiária.
— Isso é boato. E boato destrói carreira.
— Você é muito careta.
— Não sou careta. Só não quero estar no centro de um processo quando alguém resolver levar a sério.
Carlos tinha uma regra: se não podia falar na frente da pessoa, não falava. E se alguém trazia fofoca para ele, desconversava ou mudava de assunto.
Com o tempo, as pessoas pararam de procurá-lo para fofocar. Mas passaram a respeitá-lo. Sabiam que ele não vazava informação.
— Lidar com fofoca no trabalho não é sobre moralismo. É sobre autopreservação. Fofoca é veneno que volta. Quem não participa não se queima. E ainda ganha reputação de confiável.
*Continua em: 1416 — Como pedir ajuda no trabalho?*