O pai de Carlos era médico. O avô também. E o bisavô. Desde pequeno, Carlos ouvia: "Vai ser médico, igual seu pai."
Mas Carlos gostava de números. Gostava de resolver problemas lógicos. Queria fazer ciência da computação.
— Computação? Isso é moda — o pai disse. — Medicina é profissão de verdade.
Carlos tentou explicar. Mostrou o mercado de tecnologia. Falou de salários, de oportunidades, de startups. O pai não ouvia.
— Você vai passar fome — a mãe completava.
Carlos ficou meses sem saber o que fazer. Até que Mariana perguntou:
— Você quer a vida deles ou a sua?
— A minha.
— Então vive a sua. Não precisa convencer ninguém.
Carlos fez ciência da computação. No primeiro ano, estagiou em uma startup. No segundo, foi efetivado. No terceiro, já ganhava bem.
Natal daquele ano, ele mostrou o holerite para o pai.
— Não é sobre dinheiro, pai. É sobre acordar feliz.
O pai olhou o número, olhou para ele.
— Você tá bem?
— Tô.
— Então... é o que importa.
— Lidar com pressão da família para seguir uma carreira não é sobre desafiar. É sobre escolher a sua vida com respeito. Você não precisa que eles entendam. Só precisa viver de um jeito que prove que deu certo.
*Continua em: 1404 — Como pedir aumento de limite no cartão?*