Carlos trabalhava na loja de ferragens do tio desde os dezoito anos. Era um negócio da família. Ele atendia, fechava pedidos, organizava o estoque. Mas o salário era o mesmo de quando começou.
— Não sei como pedir aumento — ele desabafou com Mariana. — Meu tio não é meu chefe. É meu tio.
— E desde quando parente não merece tratamento profissional?
— O que você sugere?
— Trata como se fosse uma empresa. Prepara números.
Carlos passou uma semana levantando dados. Quanto a loja faturou depois que ele começou a organizar o estoque. Quantos clientes novos ele trouxe com indicações. Quanto tempo ele economizava com os processos que ele mesmo criou.
Marcou um café com o tio. Fora do expediente.
— Tio, queria conversar sobre minha remuneração. Preparei um resumo do que tenho contribuído.
O tio leu. Ficou surpreso com o nível de detalhe.
— Você fez tudo isso?
— Fiz. E acredito que meu salário atual não reflete essas entregas.
O tio pediu uma semana para pensar. Voltou com um aumento de vinte por cento.
— Você tem razão — disse. — A gente se acostuma a ver você como sobrinho e esquece de ver como profissional.
— Pedir aumento no emprego da família não é deslealdade. É profissionalismo. Parente também merece ser tratado como funcionário — com dados, respeito e clareza.
*Continua em: 1403 — Como lidar com pressão da família para seguir determinada carreira?*