O almoço de domingo na casa da tia Clara era sempre o mesmo: todo mundo no celular, silêncio constrangedor, conversa rasa sobre clima.
— Isso tá uma fossa — Carlos disse para Mariana, no caminho.
— Por que você não tenta puxar um assunto diferente?
— Tipo o quê?
— Pergunta uma coisa que ninguém espera.
Carlos chegou e, no meio do silêncio, soltou:
— Qual foi a melhor viagem que cada um fez esse ano?
O tio João largou o celular. A prima Luísa lembrou da praia. Até a avó, que quase não falava, contou da excursão da igreja.
— Funcionou — Carlos cochichou para Mariana.
— Agora mantém.
Na semana seguinte, Carlos trouxe um jogo de perguntas que ele mesmo preparou: "O que você faria se ganhasse na loteria?" e "Qual foi o maior aperto que você passou?". Aos poucos, as pessoas começaram a falar mais. Os celulares foram guardados.
— Não precisa de muito — ele disse depois. — Só de uma pergunta que faça as pessoas se abrirem.
— Animar reunião de família tediosa não é sobre entreter. É sobre provocar conexão. Uma pergunta inesperada quebra o gelo melhor do que qualquer discurso.
*Continua em: 1402 — Como pedir aumento no emprego da família?*