Carlos estava há duas semanas no novo emprego quando soube que a empresa estava contratando para uma vaga de analista sênior. Ele pensou imediatamente no ex-colega da Transportadora América — o mesmo que segurou a reunião no dia que o Pedro passou mal.
Eles tinham mantido contato. Café de vez em quando. Mensagem no mês. O suficiente para a relação não ter morrido.
Carlos mandou uma mensagem:
— E aí, como tão as coisas?
— Correria. Você sumiu no novo trampo?
— To me adaptando ainda. Segunda pergunto: vocês tão contratando?
— Tão sim. Por quê?
Carlos ligou. Explicou a vaga, o salário, os benefícios.
— É uma boa oportunidade — ele disse. — E você tem o perfil.
O ex-colega ficou animado.
— Mas eu preciso de indicação interna — Carlos continuou. — Se você topar, eu indico. Mas só indica quem realmente acha que a pessoa vai bem.
— Você acha que eu vou bem?
— Acho. Senão não tava te ligando.
O ex-colega riu.
— Então pode indicar.
Carlos fez a indicação no sistema de RH. Mandou um e-mail para o gerente da área com o currículo do ex-colega e um parágrafo sincero sobre por que ele era bom.
O ex-colega foi chamado para entrevista. Passou.
Uma semana depois, estavam tomando café juntos na nova empresa.
— Eu não esperava que você fosse me indicar — o ex-colega disse.
— Por que não?
— Porque a maioria das pessoas não indica. Têm medo de competição.
— Se você é bom, a gente cresce junto.
Pedir indicação para ex-colega não era sobre usar contato. Era sobre ter cultivado a relação antes de precisar dela.
*Continua em: 141 — Como lidar com colega que dá palpite?*