Carlos estava no último ano e ainda não tinha experiência formal na área. Os colegas já estagiavam, ele se sentia para trás.
— Será que já era? — desabafou com Mariana.
— Você tá no último ano, não no túmulo. Falar com o conselheiro pode abrir portas que você não conhece.
Carlos marcou com Márcio e foi direto:
— Márcio, nunca trabalhei na área. Todo mundo ao meu redor já tem estágio. Sinto que estou perdendo o trem.
Márcio não o consolou com frases prontas. Deu um caminho.
— Primeiro emprego na área não precisa ser CLT. Pode ser projeto, iniciação científica, voluntariado, empresa júnior. O mercado valoriza experiência, mas não só experiência formal.
— O que eu coloco no currículo então?
— Você participou de algum projeto durante a faculdade? Mesmo que de uma disciplina?
— Participei de um diagnóstico organizacional numa empresa local.
— Perfeito. Isso é experiência. Descreve como projeto: contexto, o que você fez, qual resultado. Não precisa chamar de estágio. Chama de consultoria acadêmica.
Carlos reformulou o currículo. Passou a enxergar as atividades da faculdade como experiências reais. Conseguiu uma entrevista e, depois, o primeiro emprego.
— Falar sobre primeiro emprego na área não é sobre ter ou não ter experiência. É sobre saber traduzir o que você já fez em linguagem de mercado. O conselheiro ajuda a enxergar valor onde você só vê vazio.
*Continua em: 1389 — Como perguntar sobre programa de trainee?*