Carlos pediu demissão. Ia sair da empresa em 30 dias. O gestor pediu que ele treinasse o substituto, o Felipe.
— Trinta dias para passar tudo que sei — Carlos disse pra Mariana.
— Dá para fazer bem feito. Se organizar.
Carlos não queria entregar um substituto mal preparado. Isso queimaria a ponte que ele mesmo construiu.
No primeiro dia de aviso, sentou com Felipe.
— Vou te passar tudo que você precisa para assumir. Mas a gente precisa de método.
Felipe era novo na área. Carlos organizou o treinamento em blocos:
— Semana um: processos diários. Semana dois: relatórios semanais. Semana três: exceções e emergências. Semana quatro: autonomia.
Carlos documentou cada processo enquanto ensinava. Criou um manual rápido: login, sistema, contatos, prazos, fornecedores.
— Se esquecer, consulta aqui — disse.
Na terceira semana, Felipe já operava sozinho. Carlos só supervisionava.
Na última semana, Carlos apresentou Felipe para os principais contatos. Transferiu os grupos de e-mail. Deixou tudo documentado.
— Pronto. Agora é seu — disse.
— Obrigado. Você não precisava ter se dedicado tanto.
— Precisava. Se você errar depois que eu sair, meu nome ainda está aqui.
Treinar substituto durante aviso prévio não é sobre fazer favor. É sobre proteger seu legado. Substituto bem treinado não dá dor de cabeça para quem indicou você no futuro.
*Continua em: 1359 — Como adaptar currículo para cada vaga?*