O colega chegou atrasado. Pela primeira vez em dois anos. A cara estava fechada, os olhos vermelhos. Ele sentou na mesa sem falar com ninguém e ligou o computador. Mas ficou parado olhando para a tela.
Carlos percebeu. Não era o tipo de coisa que se pergunta no meio do escritório.
Ele esperou até a hora do almoço. Foi até a mesa do colega.
— Vou ali na padaria. Quer vir?
O colega hesitou. Depois levantou.
Caminharam em silêncio até o café da esquina. Pediram. Só depois do primeiro gole o colega falou.
— Minha mãe foi internada ontem.
— Puxado. Tá grave?
— Tá. Mas os médicos ainda tão investigando.
Carlos não disse "vai ficar tudo bem". Não sabia se ia.
— O que você precisa agora?
— Não sei. Só... não queria ficar sozinho.
— Tá feito.
Ficaram em silêncio mais um tempo. Depois voltaram para o escritório.
No dia seguinte, Carlos passou na mesa dele e deixou um café. Sem dizer nada. No outro dia, fez a mesma coisa.
Na sexta, o colega apareceu com o resultado dos exames. A mãe estava estável.
— Obrigado — ele disse para Carlos. — Pelo café. Por não ter perguntado demais.
— Não precisa agradecer.
Apoiar um colega em crise não era sobre dar conselho. Era sobre estar perto sem invadir.
*Continua em: 136 — Como receber um novo colega na equipe?*