Carlos ficou 45 dias afastado por cirurgia no ombro. No primeiro dia de volta, sentiu-se perdido.
— Parece que tudo mudou — disse pra Mariana.
— Mudou. Você também mudou.
Ele chegou cedo. Procurou Carlos.
— Preciso me atualizar do que perdi.
Carlos separou meia hora.
— Teve reunião com cliente novo, mudança no sistema, duas pessoas saíram da equipe. Nada que você não pegue em uma semana.
Carlos sentiu que não conseguia render igual antes. O ombro ainda doía. O médico recomendou evitar esforço repetitivo por mais 30 dias.
Ele foi ao RH com o relatório médico.
— Preciso de adaptação: pausas a cada hora e, se possível, apoio para digitação.
— Vamos ver o que dá para fazer.
O RH conversou com Carlos. Arrumaram um software de voz para textos. E Carlos passou a fazer pausas programadas.
— Estranho não render como antes — ele disse.
— Você está se recuperando. Não é competência. É saúde.
Na terceira semana, já estava no ritmo. O ombro melhorou. E ele aprendeu que voltar de licença não é retomar do zero. É recomeçar com limites claros.
Voltar de licença médica e se readaptar não é sobre provar produtividade. É sobre cuidar da recuperação para não precisar de outra licença. Empresa que acolhe readaptação retorna funcionário mais rápido.
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