Carlos estava num café com dois colegas de outras empresas. Um trabalhava numa transportadora concorrente. Outro numa startup de logística. A conversa estava solta até que um deles soltou:
— Qual a faixa de analista pleno aí na tua empresa?
Silêncio.
Carlos sentiu o desconforto no ar. Todo mundo quer saber, mas ninguém quer falar.
— Eu acho que a gente pode trocar essa informação — Carlos disse. — Mas com regra.
— Que regra? — o colega perguntou.
— Ninguém fala o salário exato. Fala a faixa. E ninguém repassa para ninguém o que ouviu aqui.
Os dois concordaram.
Começaram pelo mais novo. O primeiro disse a faixa dele. Depois o segundo. Depois Carlos.
Quando a conversa acabou, Carlos descobriu que estava abaixo do mercado. Não muito. Mas estava.
No caminho para casa, ele pensou naqueles números. Não serviam para reclamar. Serviam para saber o que pedir na próxima avaliação.
No dia seguinte, ele abriu uma planilha e começou a organizar os dados que tinha. Não para mostrar para ninguém. Para ele mesmo saber onde estava e onde queria chegar.
Benchmarking salarial com colegas não era sobre fofoca de salário. Era sobre criar um espaço seguro onde informação virava poder de negociação — para todos.
*Continua em: 135 — Como apoiar um colega em crise?*