Carlos recebeu a notícia na hora do almoço. O Pedro tinha passado mal na escola e a Luísa estava no hospital. O coração disparou. A primeira reação foi pegar a mochila e ir embora.
Mas ele tinha uma reunião em quinze minutos. E uma entrega no fim do dia.
Ele foi até a mesa do analista mais sênior da equipe.
— O Pedro passou mal. A Luísa tá com ele no hospital. Eu preciso ir. Mas tenho a reunião daqui a pouco e a entrega do relatório.
O analista virou a cadeira.
— Vai. A reunião eu cubro. O relatório a gente termina.
— Tem certeza?
— Claro. Família primeiro. A gente segura.
Carlos passou em outras duas mesas rapidamente.
— Vou precisar sair mais cedo — ele disse, a voz mais apertada do que gostaria. — O Pedro passou mal.
— Vai tranquilo — um colega respondeu. — Se precisar de alguma coisa, manda mensagem.
— A entrega? — outro perguntou.
— O pessoal vai cobrir.
— Então beleza. Fica em paz.
Carlos saiu correndo. No hospital, Pedro já estava melhor — uma virose passa-geira. Mas a tarde inteira ele ficou pensando em como os colegas seguraram tudo sem reclamar.
No dia seguinte, ele levou um café da manhã para a equipe.
— Obrigado por ontem. Sem vocês, eu não teria conseguido.
— Pra isso serve equipe — o analista respondeu.
Pedir apoio em momento difícil não era fraqueza. Era confiar que as pessoas ao redor também seguravam o peso quando precisava.
*Continua em: 134 — Como fazer benchmarking salarial com colegas?*