A nova analista chegou na equipe numa segunda-feira. Ela usava cadeira de rodas e, na entrevista, tinha dito que não precisava de adaptação. Mas no segundo dia, Carlos percebeu que ela estava com dificuldade.
A mesa dela era alta demais. O monitor ficava num ângulo ruim. E o corredor entre as mesas era tão estreito que ela precisava pedir para as pessoas levantarem toda vez que passava.
Carlos esperou até o fim do dia. Depois chamou ela num canto.
— Como tá sendo o começo?
— Tudo bem — ela respondeu, mas o tom não convenceu.
— Sinceridade?
Ela hesitou.
— A mesa é alta. E o corredor...
— Eu percebi.
— Eu não queria pedir mudança no primeiro mês. Parece que já tô reclamando.
— Não é reclamar. É ajustar. Se você não se sente confortável, a entrega cai. E não é bom pra ninguém.
Carlos foi falar com o pessoal do facility management no mesmo dia. Pediu uma mesa com altura ajustável. Pediu para rearranjarem o layout para alargar o corredor.
— Vai dar pra fazer até sexta? — ele perguntou.
— Dá — o responsável respondeu.
Na sexta, a mesa nova estava instalada. O corredor estava livre.
A analista chegou na segunda, viu o espaço, e virou para Carlos.
— Você pediu isso?
— Pedi.
— Obrigada.
— Não precisa agradecer. É o mínimo.
Ela sorriu. E sentou para trabalhar. Pedir adaptação para um colega não era sobre fazer favor. Era sobre entender que um ambiente acessível não é especial — é o padrão.
*Continua em: 133 — Como pedir apoio dos colegas em momento difícil?*