O supervisor direto de Carlos, Fernando, tinha um padrão: atribuía os erros da equipe para Carlos e os acertos para si mesmo. No relatório trimestral, o nome de Carlos aparecia nos problemas, não nas soluções.
— Isso é injusto — Luísa comentou.
— Se eu reclamar, vão dizer que estou sendo emocional.
— Mas você tem dados.
Carlos passou a documentar. Guardou todos os e-mails com as entregas, as confirmações de recebimento, os elogios de clientes. Durante três meses, montou um arquivo com evidências.
Depois, solicitou uma reunião com o gerente geral, sem Fernando.
— Tenho uma preocupação com a distribuição de crédito no meu projeto.
— Explique.
Carlos mostrou os e-mails: entregas feitas por ele, relatórios que ele havia liderado, feedbacks positivos de clientes — tudo creditado a Fernando. Em contraste, as falhas que Fernando atribuía a Carlos não tinham evidência.
O gerente geral analisou.
— Vou conversar com Fernando e ajustar o processo de avaliação.
No mês seguinte, as avaliações passaram a ser feitas com evidências escritas. Fernando não mudou o comportamento da noite para o dia, mas Carlos criou uma reputação de profissional que não aceitava ser diminuído.
Lidar com supervisor injusto não é confronto gratuito. É documentar, apresentar evidências e buscar uma instância superior. Injustiça se combate com dados, não com emoção.
*Continua em: 1298 — Falar sobre adoção no trabalho*