Como voltar atrás em decisão de carreira?

Carlos

Carlos tinha aceitado uma transferência para outra filial. Mais responsabilidade, salário maior. Três meses depois, descobriu que não era o que esperava.

— Eu tô infeliz — disse para Mariana.

— Volta.

— Como? Eu pedi pra vir.

— Pedir pra voltar não é fracasso. É correção.

Carlos ficou dias pensando. O orgulho dizia para aguentar. O corpo dizia para sair. Ele marcou uma conversa com o diretor regional.

— Quero voltar para a filial anterior.

— Por quê?

— A função não é compatível com minhas habilidades. Tô entregando menos do que poderia.

O diretor franziu a testa.

— Você pediu a transferência.

— Pedi. E errei. Prefiro reconhecer e ajustar do que continuar entregando resultado mediano.

O diretor pensou.

— Vou avaliar. Se tiver vaga, pode voltar.

Uma semana depois, a vaga foi confirmada. Carlos voltou para a posição anterior. No primeiro dia de volta, sentiu alívio.

— Não se arrepende? — um colega perguntou.

— Me arrependeria se tivesse ficado.

Voltar atrás em decisão de carreira não é falta de compromisso. É inteligência. Persistir no erro não é virtude. É teimosia.

*Continua em: 1290 — Conciliar carreira com paternidade*