Carlos estava liderando um projeto com Pedro, um analista júnior recém-contratado. No terceiro mês, Carlos percebeu que Pedro estava mais calado nas reuniões.
— Você tá bem? — Carlos perguntou.
— Tô.
Mas não parecia. Carlos resolveu perguntar de forma diferente:
— Pedro, como você avalia minha liderança até aqui?
Pedro hesitou.
— Pode falar — Carlos insistiu.
— Às vezes você explica rápido demais. Eu entendo, mas preciso de mais tempo para processar.
Carlos não esperava essa resposta. Pensou antes de responder.
— Entendi. Vou passar a explicar e deixar um momento para perguntas.
— Também… você responde muito no automático. Quando pergunto algo, você já dá a solução pronta.
— E qual seria melhor?
— Deixar eu tentar resolver primeiro. Se não conseguir, aí você ajuda.
Carlos anotou os dois pontos. Na semana seguinte, mudou a abordagem: explicava mais devagar, esperava as perguntas e, quando Pedro trazia um problema, devolvia a pergunta.
— O que você acha que deveria fazer?
Pedro pensava, propunha, e na maioria das vezes acertava. Quando errava, Carlos orientava.
— Sua liderança melhorou — Pedro disse depois de um mês.
— Obrigado pelo feedback.
Pedir feedback de júnior sobre sua liderança não é humilhação. É humildade. Quem lidera também precisa ser liderado na escuta.
*Continua em: 1285 — Receber bronca do supervisor*