O RH mandou cinco currículos. Carlos leu todos na noite anterior, mas passou o olho rápido. Nomes, cargos, habilidades técnicas. Quase todos pareciam iguais.
Ele ligou para o conselheiro de carreira.
— Tô com cinco currículos na mão e não sei escolher.
— O que você precisa?
— Alguém que entenda de logística e dados.
— Isso é o que a vaga pede. O que você precisa de verdade?
Carlos pensou.
— Alguém que não precise de mim toda hora. A equipe é pequena, eu não tenho tempo de ensinar tudo.
— Então seu filtro não é técnico. É autonomia. Como você testa isso?
— Na entrevista.
— Boa.
Carlos chamou os três candidatos mais fortes para entrevista. No meio da conversa, ele jogou uma pergunta:
— Se você entrar amanhã e eu viajar por uma semana, qual é a primeira decisão que você toma sem me consultar?
Duas pessoas deram respostas genéricas. Uma — uma moça de cabelo preso e expressão concentrada — respondeu:
— Eu mapeio as entregas da semana, identifico o gargalo mais crítico e resolvo ele. Se precisar de aprovação, te mando uma mensagem. Se não, resolvo.
Carlos contratou ela.
No primeiro mês, ela não precisou de supervisão. No segundo, já estava corrigindo processos que Carlos não tinha percebido que estavam quebrados.
Contratar não era sobre encontrar o melhor currículo. Era sobre encontrar alguém que resolvia o problema que o currículo não mostrava.
*Continua em: 129 — Como lidar com colega que não responde mensagem?*