Carlos queria terceirizar a análise de dados. Carlos achava que era melhor contratar um estagiário interno.
— Terceirizado é mais barato — Carlos disse, os dedos cruzados sobre a mesa.
— No curto prazo, sim — Carlos respondeu. — Mas eu fiz a conta dos últimos dezoito meses.
Ele colocou uma planilha na frente de Carlos. Não era longa. Três colunas. Doze linhas.
— A gente terceirizou três projetos no ano passado. Em dois, a gente teve que refazer parte do trabalho porque o terceirizado não entendia o contexto da empresa. O custo escondido foi maior que o valor economizado.
Carlos pegou a planilha. Leu em silêncio.
— Estagiário custa menos por mês — Carlos continuou. — E em seis meses ele conhece a operação melhor que qualquer terceirizado. O custo de curto prazo é maior. O de longo prazo é menor.
— E quem vai treinar?
— Eu. Já tenho um roteiro de onboarding.
Carlos largou a planilha na mesa. Ficou olhando para Carlos por alguns segundos.
— Você já veio com tudo pronto.
— Não queria perder tempo com argumento frouxo.
Carlos quase sorriu. Quase.
— Traz o roteiro de onboarding amanhã. A gente testa.
Carlos assentiu. Argumentar com o chefe não era sobre ganhar a discussão. Era sobre mostrar que ele já tinha pensado nos dois lados antes de abrir a boca.
*Continua em: 124 — Como negociar prazos com o chefe?*