— Vou ser PJ, Luísa.
— PJ? Mas você é CLT.
— O Carlos sugeriu. A empresa quer reduzir custo.
— E você ganha quanto a mais?
— Dobro do salário. Mas sem benefício.
A Luísa pegou o celular.
— Vamos calcular.
Ela abriu a calculadora.
— Salário CLT: 5 mil. Décimo terceiro, férias, FGTS, INSS, plano de saúde, vale alimentação. Tudo isso é custo indireto.
— Como PJ, entram 10 mil. Mas eu pago INSS sozinho, não tenho férias pagas, nem décimo terceiro, nem FGTS, nem plano.
— E férias? Você vai precisar parar.
— Posso guardar dinheiro.
— Multa do FGTS se for demitido?
— PJ não tem.
— Tem que considerar risco.
Carlos fez a conta:
CLT: R$ 5.000 + benefícios (~R$ 2.500) = ~R$ 7.500/mês
PJ: R$ 10.000 — INSS (11%) — reserva férias (8,33%) — reserva 13º (8,33%) = ~R$ 7.850/mês
— A diferença é pequena — ele concluiu.
— E o risco? — a Luísa perguntou.
— É maior. Mas se eu conseguir 15 mil como PJ, aí vale.
— Negocia.
Carlos aprendeu: virar PJ vale a pena quando o ganho bruto cobre todos os encargos e riscos. Se for só o dobro, não compensa.
*Continua em: 1227 — Migrar de CLT para PJ*