O aprendiz novo se chamava Igor. Dezoito anos, primeiro emprego, olhar perdido.
O Carlos designou ele pra equipe de Carlos.
— Ensina ele. Mas não faz por ele.
Carlos chamou Igor na mesa.
— Igor, você sabe mexer em planilha?
— Sei o básico.
— Beleza. Vou te passar uma tarefa simples: organizar essa lista de fornecedores em ordem alfabética e separar por estado.
— Qual estado de cada um?
— Tá no CNPJ. Dois primeiros dígitos.
Igor levou duas horas. Voltou com a planilha certa.
— Boa. Agora uma mais difícil: cruzar essa lista com a de pagamentos.
Igor demorou mais. Errou. Carlos corrigiu sem gritar.
— Aqui você usou PROCV errado. O índice é o número da coluna, não o nome.
— Ah, entendi.
No fim da semana, Igor já fazia sozinho.
— Carlos, terminei o cruzamento.
— Mostra.
Igor mostrou. Certo.
— Parabéns. Na segunda a gente avança.
Ensinar aprendiz não é sobre ter paciência infinita. É sobre dosar: tarefa fácil, tarefa média, tarefa difícil. Cada acerto vira confiança.
*Continua em: 1225 — Se arrepender de ter trocado de emprego*