Carlos estava na mesa dele, o cursor piscando num documento em branco. A ideia estava na cabeça fazia duas semanas. Um sistema de priorização de tarefas que podia reduzir retrabalho em quinze por cento.
Mas toda vez que ele pensava em apresentar para o Carlos, a vontade passava.
— Você fica guardando ideia como segredo? — a voz do conselheiro veio na lembrança. — Ideia não vale nada se ninguém sabe.
Carlos abriu o calendário e marcou quinze minutos com Carlos.
No dia da reunião, ele entrou na sala com uma página impressa. Só uma. E um resumo de três tópicos no bloco.
— O que você tem? — Carlos perguntou, os óculos na ponta do nariz.
— Uma ideia. Mas antes de eu explicar, queria saber se o senhor já percebeu que a equipe perde tempo toda semana re-priorizando tarefa que já foi priorizada.
Carlos pensou.
— Já.
— Eu montei um fluxo simples. Uma planilha compartilhada com três colunas: Urgente, Importante, Rotina. Cada tarefa entra uma vez. Só mexe se o cliente mudar o escopo.
Carlos colocou a folha na frente de Carlos.
— O senhor não precisa aprovar hoje. Só queria saber se faz sentido.
Carlos leu. Passou os olhos pelo fluxo. Bateu o dedo na folha.
— Testa com a tua equipe por um mês. Se funcionar, a gente expande.
— Obrigado.
Carlos saiu da sala com a folha na mão. Não precisou de slide. Não precisou de argumento de venda. Só precisou mostrar que já tinha pensado no problema antes de trazer a solução.
*Continua em: 123 — Como argumentar com o chefe?*