A reunião estava tensa. Carlos propôs cortar o prazo de entrega do projeto pela metade.
— A gente consegue — Carlos disse, batendo a caneta na mesa. — É só apertar o cronograma.
Carlos franziu a testa. Ele sabia que não conseguia. Tinha visto os dados. Três fornecedores já tinham confirmado atraso na matéria-prima. Apertar o cronograma era empurrar o problema para a equipe.
— O senhor me dá um minuto? — Carlos pediu.
Carlos parou. Olhou para ele.
— Fala.
Carlos abriu o notebook e virou a tela para o chefe.
— Eu fiz uma simulação ontem à noite. Com o prazo atual, a gente tem sessenta por cento de chance de entregar no prazo. Se a gente cortar pela metade, cai para vinte por cento.
Carlos inclinou a cabeça, lendo os números na tela.
— E de onde veio esse dado?
— Dos fornecedores. Três deles já sinalizaram atraso. Eu coloquei na simulação.
Carlos ficou em silêncio um instante. Depois recostou na cadeira.
— Você já trouxe solução ou só o problema?
— Duas opções — Carlos disse. — A primeira: a gente mantém o prazo original e eu faço uma entrega parcial no meio do caminho. A segunda: a gente negocia com o cliente uma entrega em duas fases.
Carlos coçou o queixo.
— A segunda é mais viável.
— Foi o que pensei.
Carlos assentiu.
— Próxima reunião, chega com os dados antes. Não espera eu errar pra corrigir.
— Combinado.
Carlos fechou o notebook. Discordar sem ser insubordinado não era sobre falar mais alto. Era sobre trazer dado melhor.
*Continua em: 122 — Como apresentar uma ideia para o chefe?*