Na reunião de planejamento, o coordenador propôs reduzir a equipe do projeto.
— Com menos gente, a gente ganha agilidade — ele disse.
Carlos discordava. Reduzir a equipe significava sobrecarregar quem ficasse e atrasar as entregas.
Ele pensou em falar na hora: "Isso não vai funcionar."
Mas percebeu que discordar assim soava como confronto.
Esperou o coordenador terminar e levantou a mão.
— Posso fazer uma ponderação?
— Claro.
— Entendo a busca por agilidade. Minha preocupação é que, com a equipe reduzida, a gente pode ganhar velocidade de comunicação, mas perder capacidade de entrega. O prazo do cliente é apertado. Se alguém adoecer, não tem substituto.
O coordenador pensou.
— O que você sugere?
— Manter a equipe, mas revisar as reuniões. A gente gasta muito tempo em reunião interna. Se cortar duas reuniões por semana, ganha o mesmo tempo sem reduzir pessoas.
O coordenador aceitou a sugestão.
Depois, um colega comentou:
— Você conseguiu discordar sem irritar ninguém.
— Discordar em reunião não é gritar "tô errado". É reconhecer o ponto do outro, apresentar dados e oferecer alternativa. Quem discorda com respeito é ouvido. Quem discorda com agressividade é ignorado.
*Continua em: 1210 — Como pedir a palavra em uma reunião?*