Carlos e o amigo Rodrigo resolveram abrir um negócio juntos. Uma pequena consultoria de processos.
No começo, tudo era animação. Depois veio o primeiro desentendimento: Rodrigo queria atender cliente de graça para construir portfólio. Carlos queria cobrar.
— Mas somos amigos! — Rodrigo disse.
— Amigos sim. Sócios também. Amizade não paga conta.
A tensão cresceu. Carlos sentiu que o negócio estava virando um fardo.
Ele chamou Rodrigo para conversar num café, longe do escritório.
— Rodrigo, preciso separar as coisas. Quando estamos numa reunião de sócios, não somos mais amigos. Somos acionistas. Cada um com meia ação.
— E isso muda o quê?
— Muda que a gente precisa de acordo formal. Participação, responsabilidade, remuneração. Por escrito.
Rodrigo ficou quieto.
— Você acha que não confio em você?
— Confio. Mas amizade não substitui contrato. Se o negócio quebrar, quero que a amizade sobreviva.
No dia seguinte, os dois redigiram um contrato social simples: cada um era responsável por uma área, as decisões acima de mil reais precisavam dos dois, e o lucro era dividido proporcionalmente ao trabalho.
— Separar amizade de sociedade não é desconfiança. É preservação. Contrato não protege só o negócio. Protege a amizade. Sem ele, uma briga financeira enterra anos de relação.
*Continua em: 1204 — Como dividir os louros de um projeto?*