Carlos e Mariana moravam juntos há seis meses. A bagunça começou a gerar atrito.
— Você não lava a louça — Mariana disse.
— Lavei ontem.
— Ontem. Hoje tem mais. E o banheiro? Semana que passa e ninguém limpa.
Carlos percebeu que o problema não era má vontade, mas falta de combinação.
— Vamos resolver — ele propôs. — Cada um faz o que odeia menos.
Ele pegou um papel e escreveu:
— Eu odeio lavar banheiro. Você odeia o quê?
— Passar pano.
— Então eu passo pano, você lava banheiro.
— E a louça?
— Alterna. Dia sim, dia não.
Mariana achou justo. Carlos colocou a tabela na geladeira com os dias da semana. Cada tarefa tinha um dono.
Na primeira semana, funcionou. Na segunda, Mariana viajou e a louça acumulou.
— E agora? — Carlos pensou. — Simples: faz tudo, sem reclamar. Depois ajusta.
Quando Mariana voltou, ele sugeriu incluir uma cláusula de revezamento: se um viaja, o outro cobre e depois compensa.
— Dividir tarefa não é sobre justiça matemática. É sobre combinado claro. Cada um faz, ninguém acumula raiva. O problema nunca é a louça. É não ter dito quem lava.
*Continua em: 1203 — Como separar amizade de sociedade?*