A reestruturação pegou todo mundo de surpresa. Carlos foi promovido para diretoria. E o novo gerente da área era o mesmo cara que, três anos atrás, era gerente de Carlos em outro setor.
O ex-chefe agora era subordinado. Direto.
Carlos recebeu a notícia com um nó no estômago. Ele lembrava das vezes que o ex-chefe foi duro com ele. Das cobranças públicas. Dos e-mails com cópia para todo mundo.
Agora a hierarquia tinha virado.
Ele ligou para o conselheiro de carreira.
— Isso pode dar muito errado — Carlos disse.
— Pode dar certo também. Depende de como você começa.
— O que eu faço?
— Duas coisas. Primeiro: não trate ele como ex-chefe. Trate como subordinado. Profissionalmente, sem rebaixar. Segundo: tenha a conversa inicial. Deixa claro que o passado é passado e que vocês vão trabalhar juntos de forma profissional.
Carlos marcou a reunião.
O ex-chefe entrou na sala visivelmente desconfortável.
— Carlos. Parabéns pela posição.
— Obrigado. Vou ser direto: eu sei que a gente teve uma história. E sei que essa nova dinâmica é estranha pros dois.
O ex-chefe assentiu.
— Eu quero que a gente trabalhe bem — Carlos continuou. — Não vou tratar você diferente de ninguém. Não vou esfregar hierarquia. Mas também não vou tratar como chefe. A gente recomeça.
O ex-chefe respirou fundo.
— Obrigado. Eu também quero recomeçar.
— Então tá. Bora trabalhar.
A mão foi estendida. O ex-chefe apertou.
*Continua em: 121 — Discordar do chefe*