Carlos queria ser mentorado pelo Carlos, que era referência técnica na empresa. Mas não sabia como abordar.
— Não posso chegar e falar "quer ser meu mentor?". É muito direto.
— E por que não? — a Mariana provocou.
— Parece pedir favor.
— Pedir conselho não é favor. É reconhecimento. Você está dizendo que admira o trabalho dele.
Carlos ensaiou. Decidiu ser específico.
Numa sexta-feira, depois do expediente, chamou Carlos.
— Carlos, você tem dois minutos?
— Fala.
— Acompanho seu trabalho com arquitetura de sistemas. Seu jeito de resolver problema é algo que quero desenvolver. Aceitaria trocar uma ideia de vez em quando? Não precisa ser nada formal.
Carlos não hesitou.
— Claro. Semana que vem temos uma reunião de arquitetura. Vem junto. Depois a gente conversa.
— Era isso? Foi fácil demais.
— As pessoas gostam de ser procuradas. Ninguém se sente ofendido quando ouvem que são admiradas.
— Abordar um potencial mentor não é pedir esmola. É declarar interesse em aprender. Seja específico, seja humilde, respeite o tempo da pessoa. Mentor de verdade aceita.
*Continua em: 1195 — Como orientar júnior no dia a dia?*