Carlos foi promovido a coordenador. A boa notícia: ele agora estava no mesmo nível de Helena, que era sua mentora.
— Isso não é estranho? — ele perguntou para Mariana. — Ela era minha mentora e agora somos pares.
— Estranho por quê? Você cresceu. É exatamente pra isso que mentoria serve.
— Mas e a dinâmica? Ela vai se sentir desconfortável?
— Pergunta pra ela.
Carlos chamou Helena para conversar.
— Helena, queria falar sobre a promoção. Fiquei preocupado se isso muda nossa relação.
— Muda. Para melhor. Se eu te mentorei foi justamente para você chegar aqui. Se você tivesse ficado para trás, eu teria falhado.
— Mas agora somos...
— Pares? Sim. E isso não te impede de continuar aprendendo comigo. Eu também aprendo com você.
Carlos entendeu: mentor não é pai. Não há competição. Há desenvolvimento.
— Ser promovido não é trair o mentor. É validar o trabalho dele. Se ele é bom, vai celebrar. Se ele se sente ameaçado, nunca foi mentor de verdade.
Nas reuniões seguintes, Carlos e Helena debatiam de igual para igual. Ela respeitava mais. Ele aprendia mais.
*Continua em: 1192 — Como recusar hora extra?*