O colega pediu demissão na sexta. Na segunda, o acesso dele ao sistema já tinha sido cortado. O nome dele sumiu do grupo do WhatsApp. Como se nunca tivesse existido.
Carlos ficou incomodado. Trabalharam juntos por dois anos. Almoçaram juntos dezenas de vezes. Resolveram crises juntos. E agora? Nada.
Ele mandou uma mensagem:
— E aí, sumido. Vamos tomar um café essa semana?
O ex-colega respondeu na hora:
— Vamos!
Se encontraram num sábado de manhã. O ex-colega estava mais calmo, sem a pressão do escritório.
— Que bom que você chamou — ele disse. — A maioria das pessoas some quando a gente sai.
— Não queria que fosse assim.
— Mas é. A pessoa sai, o contato morre.
Carlos pensou sobre isso.
— Não precisa ser — ele disse.
— Como?
— A gente pode marcar um café de vez em quando. Não precisa ser toda semana. Mas não precisa sumir também.
O ex-colega sorriu.
— Combinado.
Eles mantiveram o contato. Uma mensagem no mês. Um café a cada dois meses. Nada forçado.
Quando Carlos precisou de uma indicação para um profissional de TI, o ex-colega recomendou alguém. Quando o ex-colega precisou de uma referência, Carlos escreveu.
Manter contato com ex-colegas não era sobre nostalgia. Era sobre saber que as relações profissionais não precisam morrer quando o vínculo contratual acaba.
*Continua em: 120 — Como lidar com ex-chefe que vira subordinado?*