A mesa do lado estava irreconhecível. Papéis empilhados, canetas soltas, uma caneca de café de três dias. Carlos respirava fundo toda vez que sentava. A bagunça do outro virava distração para ele.
No começo, ele não falou. Achou que não era da conta dele. Mas a bagunça cresceu. Começou a invadir o lado dele. Uma pasta no monitor dele. Um copo na mesa dele.
O conselheiro de carreira ouviu a história e perguntou:
— Espaço de trabalho é individual ou compartilhado?
— Compartilhado.
— Então por que você trata como individual?
Carlos entendeu.
No dia seguinte, ele chamou o colega da mesa ao lado:
— Posso falar uma coisa?
— Claro.
— A bagunça na sua mesa tá começando a atrapalhar o meu lado. Os papéis estão vindo pro meu espaço.
O colega olhou para a própria mesa como se visse pela primeira vez.
— Nossa, é verdade. Desculpa. Tô numa correria.
— Sem problema. Se precisar de ajuda pra organizar, posso dar um help na sexta.
— Valeu. Mas vou resolver.
Na sexta, a mesa estava limpa. O colega tinha separado os papéis, jogado fora o que não servia, e até passado um pano.
— Melhorou — Carlos disse.
— Melhorou pra mim também — o colega respondeu. — Não tinha percebido como tava me atrapalhando.
Organização coletiva não é sobre fiscalizar. É sobre combinar o óbvio.
*Continua em: 118 — Como apoiar colega que sofreu assédio no trabalho?*