Três colegas do escritório almoçavam juntos todo dia. Sentavam na mesma mesa, na mesma hora, no mesmo lugar. Carlos foi convidado na primeira semana. Aceitou.
Depois de um mês, ele percebeu que a turma comentava de tudo: quem não estava entregando, quem o gerente estava de olho, quem ia ser demitido. O grupo sabia de tudo e fechava informação.
Carlos começou a se sentir preso. Quando outro colega — de fora do grupo — vinha falar com ele na copa, os três olhavam. O clima ficava estranho.
Na sessão com o conselheiro, Carlos desabafou:
— Eles são legais. Mas o grupo é fechado. Se eu almoço com outro, eles perguntam. Se eu não conto algo, eles desconfiam.
— Você não precisa de grupo — o conselheiro disse. — Precisa de rede. Grupo é fechado. Rede é aberta.
— Como eu saio sem queimar?
— Você não sai. Expande. Continua almoçando com eles um dia. No outro, almoça com outra pessoa. Não precisa se explicar.
Carlos começou a variar. Segunda com o grupo. Terça com o pessoal de TI. Quarta sozinho revisando um documento. Quinta com um colega novo.
Ninguém perguntou. Ninguém cobrou. O grupo continuou, mas Carlos não estava mais preso nele.
No fim do mês, o colega novo veio agradecer:
— Valeu pelo almoço. Tava me sentindo isolado.
— Tamo junto.
Aliar-se não é pertencer. É conectar.
*Continua em: 115 — Como dar crédito a colegas no trabalho?*