O novo gerente chegou com um estilo diferente. Contava piada na reunião, chamava todo mundo para happy hour, e vivia batendo no ombro do Carlos durante o expediente.
— Relaxa, pode me chamar pelo nome. Não precisa desse formalismo todo.
Carlos não sabia o que fazer. Por um lado, era bom ter um chefe próximo. Por outro, algo não se encaixava.
No primeiro mês, o gerente pediu opinião do Carlos sobre um colega:
— O que você acha do [colega]? Tá entregando bem?
Carlos ficou desconfortável.
— Acho que é uma pergunta melhor pro senhor avaliar.
O gerente riu.
— Tô perguntando sua opinião de amigo.
— A gente não é amigo — Carlos respondeu, calmo. — A gente trabalha junto. E eu prefiro manter assim.
O clima esfriou por alguns dias. Carlos achou que tinha feito merda.
O conselheiro de carreira confirmou que não:
— Você estabeleceu um limite saudável. Chefe que quer ser amigo geralmente quer acesso que a hierarquia não dá. Informação, lealdade pessoal, proteção. Você fez certo.
Carlos continuou profissional. Educado. Respeitoso. Mas sem entrar na zona de intimidade.
Com o tempo, o gerente passou a tratá-lo normalmente. A abordagem continuava informal, mas sem a pressão pela amizade.
No fim do trimestre, o gerente deu um feedback sincero:
— Você é o cara mais difícil de puxar saco que eu já conheci.
Carlos sorriu.
— Obrigado.
Limites profissionais não são grosseria. São clareza.
*Continua em: 114 — Como se aliar a colegas sem formar panelinha?*